Por Carlos Mareco (entregador), representante da organização argentina “Dar Vuelta Todo”- MST/LIS

Hoje, 26/08 foi realizada uma assembleia internacional de entregadores, com a participação de líderes de organizações de diferentes países. Neste contexto, foi acordado promover uma nova Greve Internacional em 8 de outubro. Unidade e coordenação para combater a precariedade do trabalho.

Debates e troca de idéias

O encontro teve como ponto de partida uma troca fundamental de experiências, sobre as condições de trabalho com as quais temos que conviver: a precarização extrema, como característica comum em todos os países. Trabalho sem reconhecimento da relação de dependência trabalhista, expostos ao coronavírus sem equipamentos de proteção, taxas de entrega congeladas ou mesmo, em alguns países, sendo reduzidas. Também não há seguro contra acidentes, roubo ou morte. O regime de “incentivos”, com classificações e pontuações que, se não cumprirmos, nos bloqueia e suspende os pedidos, força uma jornada de trabalho maior, com mais tempo de exposição ao vírus e, consequentemente, aumento de óbitos entre os entregadores.

Cada camarada contou a resposta que estamos dando em nossos países. Lutas desiguais, mas contra o mesmo inimigo: os patrões que se escondem atrás dos aplicativos. Assim, temos as enormes mobilizações com milhares de trabalhadores de entregas no Brasil e na Colômbia, que na semana passada mostrou sua força. Assim como no Equador, que na segunda-feira (24) também saiu às ruas exigindo melhores condições de trabalho. Camaradas do Sindicato Internacional de Empregados de Serviço comentaram a luta que estão liderando contra o Uber Eats, que ameaça “eliminar o aplicativo” se eles não pararem de lutar. Também os camaradas da “Riders por direitos” na Espanha, comentaram sobre sua estratégia de mobilização contra a precarização do trabalho e enfatizaram a importância de unificar as lutas de todas as pessoas precarizadas.Da mesma forma fazemos, a partir da“Dar Vuelta Todo”, unindo trabalhadores de entrega, call center e fast food.

De continente para continente

Companheiros dos EUA, Espanha, México, Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Inglaterra, Equador e outros países participaram da assembleia. Nos próximos dias, continuaremos coordenando com camaradas do Japão, Grécia, Itália e outros lugares, para socializar as resoluções. Foi acordado convocar uma nova greve internacional em 8 de outubro, com caravanas e mobilizações em todas as cidades que pudermos. Vamos promover uma campanha comum contra a precariedade do trabalho, exigindo necessidades imediatas como o aumento da taxa para cada pedido, o seguro contra acidentes e roubos, a exigência de justiça para os camaradas mortos e, acima de tudo, lutar pelo reconhecimento da dependência trabalhista dos trabalhadores com os pedidos, com todos os direitos e benefícios sociais que isso implica. A partir da“Dar Vuelta Todo”vamos promover profundamente as resoluções desta assembleia, buscando a unidade de todos os distribuidores para se mobilizar até o cumprimento de todas as nossas reivindicações. Convidamos os entregadores na Argentina e em outros países a promover esta orientação com folhetos, reuniões virtuais, difusão militante nas paradas de entrega e com todas as medidas e instâncias que servem para construir uma grande greve mundial de trabalhadores de entregas.

Entregadores: compromisso internacionalista com os povos da Bielorrússia e do Líbano

Na assembleia, sob proposta da “Dar Vuelta Todo”, foi votada uma declaração em apoio às lutas da juventude e dos trabalhadores do Líbano e da Bielorrússia. Conseguimos explicar e fundamentar o caráter poderoso e revolucionário desses enormes processos que estão movendo o Oriente Médio e a Europa Oriental. Explicamos o papel dos jovens estudantes e da classe trabalhadora sem futuro no Líbano. Contamos a entrada progressiva da classe trabalhadora organizada na Bielorrússia e defendemos, apesar das contradições lógicas dos dois enormes movimentos de luta, a obrigação internacionalista de apoiar ambas as realidades para que vençam e assim enfraqueçam os regimes e governos, que são representações dos capitalistas e não nossas. Assim, as organizações de entregadores de mais de dez países presentes, aprovaram uma resolução de solidariedade com estas causas: a rebelião do povo libanês contra o regime de sectarismo e pactos religiosos, além da luta contra o repressivo Lukashenko na Bielorrússia. Estamos orgulhosos desta manifestação de compromisso internacionalista, que expressa a consciência política do movimento de entregadores que fazemos parte.


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