O povo segue de pé. Para conquistar a liberdade dos presos políticos e a República faz falta novos dirigentes. A Diada do 11S voltou a ser massiva. Durante o dia aconteceram distintas atividades de reivindicações. Pela tarde, cerca de 600 mil pessoas se concentraram na Praça Espanha, respondendo a convocação da ANC (Assembleia Nacional Catalã): “11S Independência Objetiva” #Tsunamidemocrático. Milhares de bandeiras estreladas nas mãos dos presentes, cânticos e cartazes manifestaram mensagens inequívocas pela: unidade estratégica, a República Catalã e a liberdade dos presos políticos e exilados.

Os meios de comunicação e os políticos burgueses a serviço do Estado espanhol deram destaque ao fato de que foi a Diada menos numerosa desde 2012. É um balanço parcial para iludir e instalar a ideia que o independentismo está em franco retrocesso. O certo é que, apesar da repressão, o encarceramento de dirigentes da sociedade civil e funcionários, das causas judiciais contra ativistas vizinhos e das manobras dos dirigentes; o povo catalão não foi derrotado. Este é o fato mais importante. O Rei, o regime de ’78; o PSOE de Pedro Sánchez e seus sócios “progressistas”, o “Trio de Colón” PP-CS-VOX e o bloco imperialista da UE, não conseguiram barrar a vontade popular pela autodeterminação expressada no Referendo do 1-O.

A última palavra ainda não está dita. A curto prazo será conhecida a sentença do Tribunal Supremo depois do Julgamento da Farsa aos presos políticos. Também vão chegar as definições para o governo do Estado espanhol que surja, seja a partir de acordos entre os partidos ou da realização de novas eleições. A resposta terá que ser contundente: não reconhecer uma sentença que não seja de absolvição e enfrentar qualquer presidente que não reconheça o direito da autodeterminação.

Dito isso, é verdade que a desconfiança e a decepção existem, e não serão superadas virando a página. As reais causas de que a participação na Diada diminuiu é que os dirigentes não estão a altura das circunstancias. Os partidos majoritários estão divididos pelos seus próprios interesses, optaram pela autonomia, a continuidade dos “simbolismos” e as supostas “jogadas de mestre” de surpresa.

Jordi Cuixar disse na cara dos juízes “faremos novamente”, pois bem, é preciso realmente faz isso. É necessário debater, decidir democraticamente e executar a desobediência civil massiva, a mobilização permanente e a greve geral. Estas medidas só podem ser garantidas desde baixo, a partir de cada assembleia nos locais de trabalho ou estudo, em cada bairro, povoado ou cidade consequente. É o melhor caminho para impor a “unidade estratégica” aos que dividem.

Não depositamos nenhuma confiança na política que os dirigentes da ERC, JxCat-PdeCat colocam em prática a partir do Govern, no Parlament e fora deles. Se faz urgente a construção de uma forte alternativa política, de esquerda e anticapitalista na Catalunha e em todo o Estado espanhol. Que rompa com o bloco imperialista da UE e lute por uma República Catalã socialista, feminista e ecologista, na que governem os trabalhadores e o povo a serviço das grandes maiorias populares. A mobilização, a revitalização dos CDR uma política decidida de candidatura política da CUP podem ser fundamentais para voltar a dinamizar a onda libertária.

Por último, queremos destacar que a partir do SOL temos sido parte das homenagens a Gustau Muñoz, assassinado pela repressão em 1978 e aos que tombaram em 1714, realizado no Fossar de les Mereres, depois estivemos na concentração na Praça Espanha. Já ao entardecer nos mobilizamos com companheiros e companheiras da CUP L’Hospitalet per la Ruptura para o ato “Organizar o Poder Popular” convocada pela CUP Nacional.

Sentimos uma grande alegria de ter compartilhado o dia com companheires do SEP da Turquia, presentes em Barcelona. E um enorme orgulho pela solidariedade recebida desde Buenos Aires, onde nosso partido irmão, o MST, foi parte de um ato unitário realizado no Obelisco. Para os partidos que integramos a Liga Internacional Socialista, a luta do povo catalão pela República e a liberdade dos presos políticos e exilados, também é a nossa luta.

Ruben Tzanoff