Escreve: Verónica O’Kelly

Mais de um ano e meio após o assassinato de nossa companheira e do motorista de seu carro, uma testemunha chave indica a possível participação do presidente Jair Bolsonaro no crime miserável.

Acontece que o porteiro do condomínio onde ele possui duas propriedades diz que, em 14 de março de 2018, no dia em que mataram Marielle, Queiroz bateu na porta da casa número 58 (uma das casas do presidente) e “Seu. Jair” ele respondeu, permitindo a entrada. Em questão de minutos, Queiroz e Lessa deixam o condomínio juntos para matar covardemente Marielle e Anderson.

Um fato colorido é que esse testemunho importante e muito fácil de coletar é conhecido por meio de um programa de televisão. A polícia civil coletou o testemunho e o elevou ao Ministério Público do Rio de Janeiro que leva o caso. Mas como o presidente do país está envolvido, que tem foro privilegiado, em 17 de outubro, o Ministério Público pediu ao Supremo Tribunal Federal que decidisse se a eles poderian ou não continuar a investigação. O presidente do STF, Dias Toffoli, ainda não mostra nenhuma resposta.

A justiça, mais de um ano e meio após o assassinato, não avançou no esclarecimento do caso, e ainda no sabemos quem enviou Marielle para matar. É que a justiça, como sabemos, não é cega nem sorda e seu vínculo com o poder político e as suspeitas de corrupção são constantes. E embora desde o início houvesse infinitas suspeitas sobre o vínculo de Bolsonaro no assassinato, hoje com esses dados, as suspeitas se tornam mais evidentes. Mas estamos falando do presidente, de seus filhos que fazem parte do governo e de outros funcionários do governo de Jair Bolsonaro. É por isso que não podemos mais esperar que possamos alcançar a verdade e obter justiça.

É urgente convocar uma Comissão de Investigação Independente para investigar sem condicionamento do governo. Uma comissão composta por personalidades com um histórico impecável na luta por os Direitos Humanos.

Bolsonaro tem que sair

O presidente é um inimigo fervoroso de mulheres, dissidentes, jovens e trabalhadores. Seus ataques são constantes e os torna publicamente. Ele despreza tudo o que expressa luta por conquistas e direitos em favor de 99% da população. Governa para um punhado de empresas que, nos últimos anos, suas fortuna se forem favorecidas pelas políticas antiobreras do governo nacional.

Mas as barbáries que Jair faz estão isolando-o dia após dia de seus aliados e de sua base social que votou nele. Pesquisas estão aumentando os índices de desacordo com o governo. Alguns dias atrás, vimos como a crise eclodiu em seu próprio partido e seus, até então aliados, travaram suas intenções de concentrar mais poder em sua figura. Também as políticas e declarações infames sobre o ecocídio na Amazônia causou desconforto na sociedade. Estes são alguns dos exemplos de como Jair Bolsonaro começa a mostrar que, por trás de sua aparente força, surgem rachaduras e problemas mais profundos. Portanto, em cada processo de luta ou mobilização, a primeira coisa que surge é o grito de Fora Bolsonaro. É hora de abrir um processo de impeachment contra ele. Porque aqueles que defendem nossas conquistas e direitos, não vamos permitir que esse vagabundo venha e tira nossos direitos.

  • Justiça para Marielle e Anderson.
  • Comissão de Investigação Independente para saber a verdade.
  • Sai Bolsonaro!


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