Alternativa Socialista – PSOL / LIS – Brasil

No próximo dia 29 de novembro, 57 cidades do Brasil terão segundo turno das Eleições Municipais marcadas pela vitória da Direita e Centro-direita, crescimento qualitativo do PSOL, abalo das candidaturas próximas de Bolsonaro ainda no primeiro turno e mobilização pela derrota eleitoral das candidaturas bolsonaristas.

A Alternativa Socialista – PSOL, seção brasileira da Liga Internacional Socialista – LIS, indica o voto Anti-Bolsonaro. Ao mesmo tempo, acreditamos que o bolsonarismo só pode ser derrotado de uma vez por todas nas mobilizações de rua, com unidade e decisão política para esmagar este governo de miséria, desemprego, assassinatos e destruição.

Vamos de 50

A presença do PSOL no segundo turno em São Paulo, principal cidade do país, com Guilherme Boulos, e Belém, com Edmilson Rodrigues, mostra a existência de um setor expressivo e importante que acredita hoje no partido como uma opção eleitoral de esquerda, fazendo frente as candidaturas bolsonaristas e uma alternativa às experiências petistas.

Neste momento está na consciência o voto no 50 em São Paulo com Boulos para vencer o tucano Covas, que a cada dia demonstra seu saudosismo com os tempos BolsoDoria, e em Edmilson contra o Delegado Eguchi, representante do reacionarismo neopentecostal. Compartilhamos e participaremos dessa campanha histórica pelo voto no PSOL 50.

O PSOL nestas eleições se apresenta como opção forte para o voto. É possível que também seja uma alternativa nas mobilizações? O PSOL pode ser uma ferramenta de unificação pelo Fora Bolsonaro e Mourão? Nós achamos ser possível e remamos para este curso. É preciso deixar isso claro. Batalhamos pelo programa de independência de classe contra a política frente populista de conciliação. Debates franco com Boulos e Edmilson Rodrigues que, junto à direção majoritária, dirigem o partido ao caminho inverso da fundação, correndo o perigo de tomar a experiência frustrada petista.

Voto crítico Anti-Bolsonaro e Voto nulo

Em todo o Brasil, parte da população expressou o ódio contra Bolsonaro. Não é sem razão o naufrágio de grande parte das candidaturas defendidas pelo atual presidente – as que seguem, estão em segundo lugar. Cada vez mais sua popularidade declina. De forma contraditória, este ódio ainda se limita ao espaço eleitoral. A vitória das outras candidaturas significa um repúdio expresso a Bolsonaro, não necessariamente um voto de confiança.

Em Porto Alegre, hoje disputam as candidaturas de Manuela d’Ávila, do PCdoB [1], contra Sebastião Melo, do MDB, atual Deputado Estadual que votou nos ataques do governador tucano Eduardo Leite contra o serviço público, tendo Ricardo Gomes (DEM), como vice e, hoje, é a opção do bolsonarismo na capital contra a classe trabalhadora. Chamamos o voto crítico em Manuela (65), sem compromisso programático. Onde a esquerda da ordem vem governando, joga água no moinho de Bolsonaro, aplicando a Reforma da Previdência e reprimindo manifestações. A bancada do PSOL de Porto Alegre deve continuar se comportando como oposição de esquerda.

Em Fortaleza, o segudo turno ficará entre Sarto (PDT) e Capitão Wagner (PROS), candidato direto de Bolsonaro. No início deste ano, Wagner foi um dos articuladores do movimento dentro da Polícia Militar com direção da extrema-direita bolsonarista onde abriu sua pré-campanha eleitoral. É o mesmo candidato que, na Chacina do Curió em 2015, com 11 jovens exterminados, defendeu os PMs acusados dos assassinatos [2]. Indicamos o voto crítico em Sarto (12), sem nenhum acordo político com quem aprovou a Reforma da Previdência no Estado, representando o governo Camilo Santana (PT) que anunciou mais um concurso da PM, abrindo mais possibilidades de crescimento político para o Capitão Wagner.

No Rio de Janeiro o cenário é trágico, e parte da culpa se dá por um erro grosseiro de Marcelo Freixo, desistindo de representar a única candidatura de esquerda que poderia barrar Crivella-Paes. A cidade hoje amarga duas opções de Bolsonaro. Crivella, filho legítimo eleitoral; do “Guardiões do Crivella”, com funcionários pagos pela prefeitura para perseguirem e intimidarem qualquer opinião contrária; do Republicanos, ligado a IURD, organizadora de milícia protofascista. Do outro lado, Paes, que passou a chave da cidade a Crivella em 2017 com muita tranquilidade, carta B de Bolsonaro, do DEM de Maia e Alcolumbre, articuladores do “acordão burguês”, uma sobrevida ao governo. A nossa posição, neste cenário, só pode ser o Voto Nulo.

Em Recife, a coligação com o PT, PMB e PTC, definida pelas costas das bases do PSOL na cidade [3], enfrenta o atual partido no governo da cidade e o Estado, o PSB. Os primos João Campos e Marília Arraes disputam a prefeitura, fazendo um difícil esforço por se diferenciar já que até pouco tempo o PT dirigia secretarias do governo municipal, sendo corresponsável pelas políticas de ajuste e pobreza contra os trabalhadores e o povo pobre. Depois do primeiro turno, vieram apoios da direita bolsonarista para Marília Arraes. O caso mais inaceitável foi o do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira. O apoio do autor do “Estatuto da Família” (PL 6.583/2013), quando era Deputado Federal, foi muito bem recebido pela candidata petista, publicando em suas redes: “é uma importante manifestação de uma liderança que vem fazendo a diferença e tem dado o bom exemplo na gestão pública, no desenvolvimento do município e no combate as desigualdades. Tenho certeza de que faremos uma grande parceria e juntos vamos resgatar o desenvolvimento econômico e social dos municípios da Região Metropolitana do Recife”.

Todo o programa de campanha de Marília Arraes indica que não representa nenhuma diferença com o PSB, ambos são projetos políticos com discursos “progressistas”, mas limitados ao 1% dos riscos que explora os 99% que vivem de seu trabalho. É por isso que nosso voto é nulo como expressão política da necessidade de fortalecer um PSOL independente e socialista, disputando em nossa classe por um governo a serviço de nossas lutas e reivindicações.

Em todas as outras capitais e cidades que, no segundo turno, o PT disputa com alguma candidatura do bolsonarismo, a nossa indicação é de voto crítico no 13. Sem alimentar nenhuma ilusão sobre os governos petistas. Neste momento, é importante barrar as candidaturas bolsonaristas nos municípios. É um equívoco subestimar o crescimento da extrema-direita, seus filhos legítimos e seus servos diretos, na estrutura dos municípios. Não simplificamos a realidade nas cores preto e branco.

Fora Bolsonaro agora ou em 2022?

Todo o cenário está servindo como justificativa para setores burgueses, e até da esquerda da ordem, de que é possível isolar Bolsonaro em 2020 nos municípios e derrotá-lo em 2022 pela via eleitoral. As opções de redenção são diversas. Vai desde figuras horrendas como Sergio Moro, ex-ministro de Bolsonaro, e o apresentador global Luciano Huck, até opções como Flávio Dino ou Lula.

Não vemos como possível derrotar de vez o bolsonarismo pela via-eleitoral. Na melhor das hipóteses, isolá-lo, mas não é isso que a classe trabalhadora, o povo pobre e as minorias necessitam. É preciso colocar o bloco nas ruas hoje, chamando a maior unidade possível para reconstruir a derrubada completa deste governo miserável. É uma tarefa das centrais sindicais, dos partidos e movimentos sociais. Ao mesmo tempo, a conformação de uma Frente da Esquerda Socialista para disputar nossa classe para uma saída radical que supere a crise e esmague a extrema-direita.

Vamos de Boulos e Edmilson com o PSOL 50. Contra as candidaturas bolsonaristas, voto crítico no 13, 65 e 12. Contra o bolsonarismo, a extrema-direita e os movimentos protofascistas, vamos às ruas com unidade e luta implacável.

Notas:

[1] Manuela foi candidata a vice-presidência nas eleições de 2018, na chapa de Fernando Haddad (PT). Em Porto Alegre, o PT tem uma longa tradição de gestões na prefeitura (1989 a 2004). O atual vice na chapa de Manuela é Miguel Rossetto (PT), ex-ministro nos governos Lula e Dilma e ex-vice-governador do Estado do Rio Grande do Sul (1999 a 2002).

[2] A chacina aconteceu em novembro de 2015, em bairros da periferia da cidade de Messejana, assassinando 11 jovens entre 16 e 19 anos. O Ministério Público do Ceará denunciou 44 PMs pela participação na chacina. 34 podem ir a júri popular.

[3] Publicamos em nossa página 4 notas sobre a decisão antidemocrática da Direção Municipal do PSOL Recife para compor a chapa com Marília Arraes: Nota de 10 de Julho; Nota de 20 de Julho; Nota de 05 de Agosto e Nota de 07 de Agosto.