O cenário eleitoral na capital pernambucana confirma a necessidade de construir uma alternativa política para os 99%. A capital nordestina da desigualdade é um terreno hostil para quem vive do seu trabalho ou padece do desemprego e da pobreza. A saída é pela esquerda socialista e radical!

O governo PSB, aliado ao PCdoB e PDT, seguem na frente

A capital mais desigual do país, com altos índices de desemprego, pobreza e fome, sofre duas décadas de governos “progressistas” do PSB, PT, alternadamente, e PCdoB enquanto satélite. A pandemia demonstrou o abandono criminoso nas periferias e o povo pobre, que mora em penosas condições de vida, sem acesso a saneamento básico, rede de água potável e com um sistema de saúde abandonado e sucateado por todos os governos.

Hoje a maquinaria milionária de quem governa Estado e Município já está nas ruas de Recife garantindo um primeiro lugar nas pesquisas para João Campos. Com ele, se garante outros 4 anos de negociatas para as corporações imobiliárias, empresários da indústria de serviços e os ganhos que a corrupção oferece para os amigos do poder, em definitiva, se garantem os lucros capitalistas para 1% e a miséria para os 99% do povo.

A carreira da “verdadeira” direita

Nesta conjuntura eleitoral, a direita nacionalmente se apresenta dispersa ante a ausência de um partido ou candidato que unifique. O governo Bolsonaro segue numa crise crônica e que tenta resolver para ainda sonhar com a reeleição 2022, mas hoje não é o mesmo puxador de votos de 2018 e deixa um espaço político à direita que ainda ninguém ocupa.

A cidade de Recife não é a exceção. A direita recifense oferece um espetáculo ridículo de luta pelo trono da “verdadeira” direita. Como nenhum dos personagens ganhou o respeito político ou simpatia de grandes setores da sociedade, todos se postulam na carreira e batalham para ficar na ponta. As redes sociais e a mídia local ardem com o fogo cruzado entre eles, denúncias de um passado “vermelho” de Alberto Feitosa (PSC), que integrava a Frente Popular até 2018. Ou o evangélico Marco Aurélio (PRTB), que é cobrado por seu passado como ex-vice-líder de governo de Geraldo Julio na Câmara Municipal. Nessa conta, também entra o mais bem colocado, Mendonça Filho, por ser aliado de Maia e Mandetta, então “inimigos” do presidente, mas no acordão burguês; e a delegada Patrícia Domingos (Podemos), aliada de Moro, que também se enfrenta com Bolsonaro.

Emfim, a direita dividida e sem rumo claro, protagoniza um engraçado espetáculo. Nas palavras de Marx, estamos assistindo uma história que se deu como tragédia e agora se repete como farsa.

Marília Arraes, candidata da coligação PT –PSOL –PTC –PMB, não é alternativa

Em todo o processo de previas partidária, fomos defensores da candidatura própria do PSOL, como orientação política de independência de classe para dar respostas aos principais problemas que nosso povo sofre. Com métodos antidemocráticos e desconhecendo às bases, o Diretório Municipal, com quatro votos a favor e três contra, decidiu a unidade eleitoral com o PT e a candidatura de Marília Arraes como prefeita nessa coligação. Depois se somaram partidos de direita como o PTC e o PMB, o que terminou de fechar um acordo eleitoral sem programa nem projeto que represente nossos interesses de classe.

O cálculo eleitoreiro indica que Marília Arraes poderia disputar o segundo turno eleitoral com João Campos do PSB, e os seus competidores pela mesma vaga são principalmente os dois candidatos da direita, Mendonça Filho e a delegada Patrícia Domingos. É por isso que o programa de campanha do PT/PSOL/PTC/PMB, que Marília reproduz massivamente nesta campanha, vai dirigido a ganhar votos destes setores. Assim achamos a proposta de “exigir do Estado a retirada do antigo Presídio Aníbal Bruno….” em Curado, porque “o funcionamento do presídio leva insegurança a mais de 200 mil pessoas…”, uma proposta que não contempla os direitos das pessoas com suas famílias que é a população desse gigantesco presídio localizado (casualmente) numa zona da cidade alvo do negócio e invasão imobiliária nos últimos anos. No mesmo sentido falou de privatizar a Compessa se fosse necessário para que ela seja uma empresa mais produtiva. Ou quando declarou que diante o governo de Bolsonaro, ela respondeu: “A relação institucional deve ser feita. É uma questão de responsabilidade, ter diálogo com o Governo Federal, buscar apoio.”

Nosso projeto é o oposto. Queremos um governo dos 99%, sem lucros para poucos, sem medidas de ajustes ou privatizações, e que se enfrente com um governo que nada faz enquanto a pandemia mata milhares de brasileiros e brasileiras. É por isso que não votamos nessa candidatura, nem nesse projeto.

A saída é pela esquerda

Nós, da Alternativa Socialista – PSOL, seguimos apostando e construindo um projeto político que defende os interesses dos e das trabalhadoras, das mulheres, das juventudes, povos originários, das periferias. Nestas eleições em Recife, chamamos a fortalecer com nosso voto os partidos da esquerda classista que não abandonam o programa das lutas. E continuamos batalhando para que o PSOL seja a ferramenta de luta, independente e socialista que muitos e muitas construímos.


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