Encerradas as convenções partidárias, já é possível visualizar o panorama inicial das eleições municipais no país. O regime democrático burguês caminha para realização de campanhas eleitorais no furacão da pandemia, ainda com um alto índice de infecções e mortes por dia, e um avanço escandaloso de desemprego, fome e pobreza na população.

Bolsonaro e a direita dividida

Bolsonaro tentou se fortalecer e chegar a essas eleições com uma estrutura que o fortalecesse para 2022, mas seus planos mais uma vez não saíram como esperado. Além de não ter concretizado a legalização de seu partido Aliança pelo Brasil, obrigando os bolsonaristas a entrarem em várias legendas, a atual receita do “Renda Brasil” esbarrou numa encruzilhada. Com isso, seu plano de sustentar os bons resultados nas pesquisas está se afastando. Parte de seus antigos aliados preferem manter distância, apresentando-se como opções da direita ou extrema-direita em seus municípios, sem se vincular ao presidente ou ao governo. Sem Bolsonaro como unificador, o cenário da direita é de dispersão.

A centro-esquerda com o “vale-tudo”

A dispersão não é apenas da direita. Na centro-esquerda e “progressistas” também há dispersão e pragmatismo eleitoral que nada tem a oferecer aos trabalhadores ou pobres que dizem representar. Frentes eleitorais que incluem partidos de esquerda, centro-esquerda, centro-direita e direita foram seladas. O PT com o PSL (partido de extrema-direita que levou Bolsonaro ao poder) em cidades do Brasil é o caso mais escandaloso do “vale-tudo” como política.

PT, PCdoB, PDT, Rede, PSB, entre outros, costuram acordos eleitorais a serviço da manutenção de seus redutos de poder. Não expressam nada de novo para as pessoas que já passaram por uma desilusão desses projetos políticos submissos aos lucros capitalistas e contra as necessidades das pessoas.

A bússola do PSOL com defeito

Os debates na vida interna do PSOL se aprofundaram desde as prévias eleitorais. A atual direção majoritária do partido definiu uma Resolução Eleitoral, aprovada no Diretório Nacional, que a tática dessas eleições seria a formação de frentes com partidos do arco progressista, como o PT ou o PCdoB, entre outros. Tática que responde à política de formação de um acordo político antifascista ou anti-Bolsonaro.

A caracterização equivocada do governo como fascista e forte não é de agora, faz parte dos debates expressados em diferentes documentos e instâncias. Correntes da Esquerda Radical do PSOL expressaram o desacordo com as/os camaradas da direção, amparados em uma análise política da situação em nosso país e caracterizando o governo de direita, numa crise cíclica desde seu início, ainda longe de se tornar um governo de tipo fascista ou bonapartista.

Essa desorientação, tem como consequência tática, a infeliz política de formação de alianças eleitorais com partidos que não representam o conjunto de setores que lutam e se rebelam contra constantes ajustes e ataques. Nessa perspectiva, foram definidas frentes em diferentes cidades, por exemplo, em Recife, onde a direção do PSOL de forma antidemocrática presta o papel de “conselheiro de esquerda” de Marília Arraes, candidata à prefeitura pelo PT, formando uma frente que inclui duas legendas burguesas, PTC e o PMB.

Se igualando a estes, o PSOL perde a oportunidade de se transformar em poderosa alternativa política de esquerda e socialista que aglomera grandes setores. Por isso, onde o partido apresenta candidaturas próprias e se diferencia da esquerda da ordem, se expressa como alternativa e passa a acumular aderências e apoios, demonstrando que há espaço político para um projeto de esquerda, junto à classe trabalhadora e o povo pobre e periférico.

A alternativa é a esquerda radical

Os resultados destas eleições municipais não representarão soluções para os grandes problemas que sofremos. Mas poderão ser uma oportunidade de fortalecer as candidaturas da esquerda radical e expressar nosso programa socialista em todo o país.

Postulamos candidaturas vinculadas à classe trabalhadora e aos seus movimentos feministas, eco -socialistas e antirracistas, a serviço de um projeto independente e classista. Nos colocamos pelo fortalecimento de cada uma de nossas lutas e também da batalha mais importante, a construção da alternativa política necessária para transformar tudo e lutar para que as/os exploradas/os e oprimidas/os governem. Por isso nós militamos e nos organizamos.

Junte-se a nós!

Luta Socialista e Alternativa Socialista/LIS, correntes internas do PSOL

Brasil, setembro de 2020.


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