Por Verónica O’Kelly, Alternativa Socialista – LIS Brasil

Todos os dias se ouvem novos rumores. Golpe de estado, impeachment, pedido de renúncia e coisas assim. A realidade é que o governo de Jair Bolsonaro sofre sua pior crise e cada vez mais setores discutem como tirá-lo do poder.

A crise política em nosso país deu um salto nas últimas semanas e coloca na ordem do dia a possibilidade da queda do governo. Cada vez mais isolado e debilitado, Bolsonaro apela a seu discurso negacionista, contrariando as medidas que estão sendo tomadas em quase todo o mundo. Ontem, domingo passado, voltou a convocar uma caravana de carros e uma manifestação de rua que terminou com um discurso em frente ao Quartel-General do Exército perante uma audiência pequena, mas não menos demente que o seu dirigente. Com cartazes e bandeiras, exigiam a anulação do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), o que obviamente provocou uma onda de repúdio imediata. Hoje, o Folhia de São Paulo publica uma entrevista a dois altos generais do exército que negam qualquer tentativa golpista por parte das Forças Armadas e que, pelo contrário, um destes esclarece que “o estado democrático de direito é o pilar para a minha geração e que não há a mínima possibilidade de aventuras golpistas. O presidente sabe disso.”

Um debate necessário, como jogar fora Bolsonaro e seu governo?

Enquanto Bolsonaro continua com sua empresa criminosa de desprezo à saúde e vida do povo, provocando que o Coronavírus avance sem trégua aumentando astronomicamente o número de mortes, atacando fortemente a primeira linha de combate, os milhares de trabalhadores e trabalhadoras da saúde que vão para a batalha sem armas, ou fazendo com que milhões de desempregados ou trabalhadores informais sofram a miséria e a fome, ou seja, enquanto o povo trabalhador e pobre sofre as consequências de um governo genocida, o conjunto dos partidos e representantes da oposição debatem-se sobre como sair desta crise de governo melhor posicionados. Com especulações eleitorais e interesses de todo tipo, se unem em um objetivo comum, salvar o regime democrático burguês e seu governo, afinal salvar o lucro capitalista.

As alternativas que ouvimos, falam de mover fichas de um tabuleiro: tirar um para que entre outro, como já vimos antes com Dilma e Temer, e claro, que o decida a caverna de bandidos que se refugia no parlamento. Já sabemos como termina esse filme e é por isso que não confiamos em nenhuma dessas alternativas, que em vez de colocar o eixo em construir a maior unidade e força na mobilização para atirar a este governo, nos falam de apostar na saída parlamentar como fazem equivocadamente muitos colegas do PSOL, ou como o PT e Lula que segue em sua linha de fortalecer-se como alternativa eleitoral e de reposição governamental, anulando qualquer processo de mobilização.

Lutamos para expulsar Bolsonaro, Mourão e todo seu governo para que sejamos os e as trabalhadoras, as mulheres, as comunidades originárias, os jovens, o povo pobre, em fim, os que fazemos funcionar este país todos os dias que governamos. Que sejamos nós a decidir o nosso futuro com a força da mobilização e não o deixarmos nas mãos daqueles que o põem em risco uma e outra vez. O caminho é fortalecer todas as lutas em curso, os panelaços e qualquer medida de luta que surja. Como também exigir às centrais sindicais a urgente convocação de uma Greve Geral. Também fortalecer os comitês de emergência que já existem em alguns bairros populares e desenvolvê-las onde não existem. Não só em bairros, mas também em fábricas ou locais de trabalho e estudo, construir organização operária e popular independente para defender nossos direitos e hoje mais do que nunca, para defender nossas vidas.

Desde Alternativa Socialista e a LIS (Liga Internacional Socialista), militamos e apostamos por esta saída anticapitalista e socialista, convidamos você a que se junte e o façamos juntos.


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