Com 102 anos de presença no Brasil, a multinacional estadunidense Ford anunciou na última segunda-feira, 11, o fechamento ainda este ano de suas plantas localizadas nas cidades de Taubaté/SP, Camaçari/BA e Horizonte/CE. Em 2019, a Ford já havia encerrado sua produção em São José dos Campos/SP.

Serão mais de 6 mil postos de trabalho lançados à incerteza. Os meios de comunicação burgueses amenizam a situação, informando que a multinacional está buscando junto ao sindicado representante a melhor forma de compensação da categoria, mas a verdade é que os trabalhadores serão os únicos abatidos. Segundo a multinacional, as plantas localizadas na Argentina, com investimento milionário, e Uruguai serão mantidas.

Desde 1999, a Ford já recebeu de lá para cá mais de R$ 20 bilhões em incentivos fiscais, também chegando a lucros bilionários anos atrás. Atualmente, as plantas produzem motores em Taubaté/SP, modelos Ka Sedan e EcoSport em Camaçari/BA, e Troller em Horizonte/CE. É importante destacar que há uma cadeia de trabalhos e pessoas que vão além dos mais de 6 mil empregados – é estimado mais de 15 mil. Tudo isso será afetado.

Primeira linha de montagem da Ford completa 100 anos Jornal da Manhã - 48  anos

Com um cenário de mais de 14 milhões de pessoas desempregadas no Brasil, pelos dados oficiais do trimestre agosto a outubro/2020 divulgados pelo IBGE, é desesperador para milhares de trabalhadores somarem a esta fila que a cada dia traga o país. O fechamento da Ford é um sintoma importante da crise paga com cada gota de suor da classe trabalhadora.

Enquanto isso, Bolsonaro executa, com Guedes e o “Acordão burguês”, seu plano mais ambicioso: o desemprego em massa e, onde houver, com as condições mais precárias possíveis. Não é coincidência que, no mesmo dia, o governo tenha anunciado um Plano de Demissão “Voluntária” para 5 mil trabalhadores e o encerramento de 361 unidades do Banco do Brasil, um patrimônio nacional que vem sofrendo ataques há décadas.

É preciso deixar claro, com Bolsonaro, nossa exigência com força e unidade nas ruas deve ser: Fora Bolsonaro e Mourão. É impossível que este governo cumpra qualquer garantia de emprego, salário e renda.

Este é o momento das principais Centrais Sindicais, Sindicatos, partidos e movimentos sociais/populares lançarem um calendário nacional unificado contra este governo de desemprego, fome, miséria e assassinatos. Por nenhuma demissão nas plantas da Ford, cobrança das isenções bilionárias, estatização das plantas sob controle democrático das e dos trabalhadores e fim do envio dos lucros para as matrizes. Toda solidariedade e pela formação de comitês contra as demissões. Tudo isso deve ser colado com o Fora Bolsonaro e Mourão, por um governo da classe trabalhadora e do povo pobre!