Por mulheres da Alternativa Socialista – PSOL.

A humilhação sofrida por Mari Ferrer, vista por milhões de pessoas, demonstra o que já sabemos: o ódio machista patriarcal não tem limites e devemos acabar este.

No banco dos réus: a vítima do estupro. Do outro lado: o estuprador impune. A justiça machista inverteu a situação e garantiu impunidade a um estuprador, deixando-o livre e absolvido. Um grau de cinismo e violência tão forte que acaba consagrando uma sentença perversa que absolve o comprovado estuprador, porque ele cometeu o ato mas “sem vontade”, ou seja, sem nomear o julgamento como “estupro culposo”, que em essência foi o que argumentaram.

Exigimos a anulação desta sentença ilegal e misógina, a prisão imediata do estuprador André de Camargo Aranha e a destituição dos responsáveis ​​por esta atrocidade: o promotor e o ideólogo da ideia de “estupro culposo”, Thiago Carriço e o juiz Rudson Marcos. Bem como a imediata suspensão da matrícula do advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho para ser julgado pela violenta humilhação que causou a Mari Ferrer.

Nós, mulheres, entendemos muito bem esses atos que buscam vitimar quem de nós somos violentadas, estupradas ou assassinadas. Também sabemos muito bem que a origem de todas essas atrocidades é o sistema de opressão patriarcal que nos transforma em objetos para atender e servir aos desejos dos homens. Somos objetos, mercadorias, tubos de gestação ou servas e, se nos atrevemos a denunciá-los, somos castigadas. Portanto, essa situação evidencia ainda mais a precarização da mulher no mercado de trabalho que em vias de buscar seu sustento, se coloca a mercê de empresas que compactuam e perpetuam atitudes de assédio.

Desde os anúncios para esse tipo de vagas até o uniforme, as relações de trabalho são impostas de maneira a objetificar a mulher e não de tratá-la como profissional. As empresas, portanto, ignoram e se abstém da violência que surge a partir disso, enquanto as trabalhadoras são culpabilizadas por estarem lutando pelo seu direito de independência financeira.

O patriarcado institui a opressão a serviço de um sistema de exploração de classe, o capitalismo, que se serve da imensa mão de obra gratuita que as mulheres garantem com o trabalho doméstico e com o cuidado, e que cinicamente chamam isso de amor. Por isso dizemos que capitalismo e o patriarcado são o mesmo sistema de opressão, violência e exploração e que é garantido pelas instituições que os sustentam, como a justiça burguesa.

A mentira de que a justiça é cega, surda e muda, desmorona quando vemos atos de tamanha impunidade e perversidade como o sofrido por Mari Ferrer. É por isso que lutamos para depurar os julgados, afastando e punindo os que praticam atos de machismo ou LGBTfobia. Exigimos que juízes e promotores sejam eleitos pelo voto popular e assim garantimos que prestem contas de seus atos ao povo, para ver se atrevem a estas atrocidades! Lutamos para que todo o poder judiciário e policial seja capacitado sobre a violência contra a mulher na perspectiva de gênero, como já é feito em alguns países do mundo.

Nós, mulheres de Alternativa Socialista – PSOL, lutamos por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres (nas palavras de Simone de Beauvoir) e não vamos descansar até que o capitalismo e o patriarcado caiam juntos.


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