ENFRENTRAR O FASCISMO NAS RUAS E NAS URNAS

 

Hoje tudo aponta que o Brasil está entrando em uma transição: entre o governo golpista de Michel Temer e um governo autoritário de Bolsonaro. E não podemos esquecer, que se existir uma possibilidade remota de uma vitória do candidato Fernando Haddad (PT), seria um governo que terá de se curvar diante das extorsões de um Congresso Nacional com um forte ar fascista que avançou no país.

De acordo com as últimas pesquisas (IBOPE de 23/10), Bolsonaro estaria com 57% contra 43% de Haddad nas eleições do próximo domingo. A maior parte das multinacionais tem voltado seu apoio ao candidato do PSL, que nas últimas semanas voltou a se ver envolvido em vários escândalos de repercussão midiática enquanto a Justiça olha para o outro lado, como foi o com o caso de “Caixa 2”, onde empresas privadas contrataram com dinheiro não declarado pela campanha, serviços de mensagens massivas para difundir Fake News contra seu opositor e nesta última semana explodiu, através das redes sociais, um vídeo onde o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do candidato a presidente, disse que para fechar o Superior Tribunal Federal “basta um soldado e um cabo”. Ainda precisamos somar a declaração de Jair Bolsonaro em São Paulo, onde afirmou que vai “varrer do mapa os vermelhos”, e que aqueles que não se submetam a sua política: “que saiam do país ou vão para cadeia”.

Enquanto as mobilizações pelo #EleNão que aconteceram nestas semanas tem e que contaram com uma grande quantidade de pessoas, não conseguiram frear a ascensão eleitoral do ex-capitão. E ao mesmo tempo que seus partidários tem protagonizado marchas a favor, a mais importante foi registrada no domingo, no Rio de Janeiro, e desembocaram numa onda de agressões e ataques contra seus opositores e membros da comunidade LGBT. O mais grave deles tirou a vida do mestre de capoeira Moa do Katendê. O que fez começar uma onda de medo e insegurança pelo ataque aos direitos democráticos da população.

 

AS CAUSAS DA ASCENSÃO DESTE MONSTRO E COMO COMBATÊ-LO

O enorme desprestigio do velho sistema político do Brasil, com o PT na cabeça junto aos seus antigos sócios do (P)MDB e o PSDB, e diante da falta de uma poderosa alternativa de esquerda, produziu o surgimento deste outsider da política brasileira, que sobre um programa contra a corrupção e apoiado por setores da população que repudiam os governos do PT, propõe um programa econômico ultraliberal de venda dos bens do país para as multinacionais e forte corte nos direitos históricos dxs trabalhadores.

A aparição deste monstro protofascista é responsabilidade do PT, que não aproveitou os anos da melhor conjuntura econômica que atravessou o país, para reestruturar a economia dependente do agronegócio e os interesses das multinacionais, se transformando em um fiel administrador do capitalismo brasileiro e garantia na região para que fenômenos como o bolivarianismo não se radicalizaram em seus enfrentamentos ao imperialismo. Fez tudo isso desenvolvendo também uma enorme rede de negócios corruptos entre a casta política e o empresariado, que veio a tona com a operação Lava Jato.

Já o governo de Dilma descarregou um forte ajuste que a debilitou permitindo a seus ex-sócios destruí-la por via do golpe institucional. Depois, já sendo oposição, o PT, não utilizou seu peso de mobilização para enfrentar as reformas trabalhistas e as terceirizações de Temer, o avanço de políticas repressivas dentro do regime, expressadas na militarização do Rio de Janeiro, o assassinato de Marielle Franco e a própria detenção arbitrária de Luiz Inácio “Lula” da Silva.

 

O PERIGO FASCISTA

Existem duas atitudes equivocadas opostas diante da ascensão de Bolsonaro. Por um lado estão aqueles que se sentem derrotados antes de lutar e que vem com Bolsonaro um triunfo de uma onda de direita. Por outro lado, estão aqueles que entendem corretamente que uma derrota eleitoral não significa automaticamente o começo do fascismo no Brasil, mas subestimam o perigo brotando.

Se bem a maioria dos eventuais eleitores de Bolsonaro são apoiadores de uma mudança que possa trazer algum alivio para sua difícil situação, do que por respaldar sua política fascista, o certo é que uma vitória deste personagem aprofundará gravemente o giro antidemocrático do regime brasileiro, dado que se apoia no aparato militar do Estado e tem como vice-presidente o direitista general Hamilton Mourão. Tentarão impor um programa cujas primeiras medidas serão privatizar o sistema da previdência, impor os aspectos mais duros da reforma trabalhista, aumentas a depredação do país por parte das companhias multinacionais, e proscrever as organizações de esquerda que existem no país, como defende claramente seu programa. Teremos que nos preparar para que seus seguidores se sintam habilitados para mais expressões as ações violentas que já sofremos duramente nesta campanha. Sua vitória terá um impacto regional, ao fortalecer aos governos neoliberais como de Macri (Argentina) ou Piñera (Chile) epor tanto é uma tarefa dos trabalhadores e os povos latino-americanos se somar à resistência do povo brasileiro.

 

 

AS TAREFAS PARA DERROTÁ-LO

De imediato é necessário lutar voto a voto para tentar derrotar este fascista. Intentado fazer a melhor eleição possível, que milhões se expressem contra Bolsonaro e impulsionando todas as mobilizações e ações que sirvam para crescimento da campanha #EleNão. Conquistar a maior votação possível contra este ex-capitão será de grande apoio para enfrentar seu futuro governo. Por isso estas semanas estruturamos uma forte campanha de voto crítico para Haddad de maneira independente e sem apoiar seu programa político.

Uma possível vitória de Bolsonaro não significa uma derrota histórica das lutas do povo brasileiro. Seu surgimento desatou numa enorme energia social para enfrentá-lo. A luta contra o fascismo vai precisar maiores mobilizações nas ruas e a construção de uma alternativa anticapitalista.

 

FORTALECER A ALTERNATIVA SOCIALISTA E O PSOL

Diante deste cenário, o PSOL tem grandes desafios, acreditamos que é urgente fortalecer a construção de uma verdadeira alternativa política de esquerda, feminista, laica e socialista, com os setores da classe trabalhadora e as juventudes. É por esse caminho que o PSOL pode solucionar os erros da campanha, e se transformar na opção para a maioria da população. O PSOL terá que ter um papel fundamental na luta contra Bolsonaro, assim também como na formação política e empoderamento das bases sociais, para que sejamos o conjunto dos oprimidos e os explorados que coloquemos em nossas mãos a luta pela defesa de nossos direitos contra as políticas reacionárias.

A partir da Alternativa Socialista, que integra a corrente internacional Anticapitalistas em Rede, chamamos a todxs aquelxs que se opõe a este avanço fascista, a estar unidxs e construir juntxs a resistência e uma organização revolucionária no Brasil, para varrer o fascismo e avançar na transformação real do país, questão que o PT não fez, e nem fará.

 

Lucas Tiné e Celeste Fierro (MST-Argentina)


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