Durante uma cerimônia de formatura de fuzileiro navais na manhã desta quinta-feira (07/03), no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro fez mais um de seus discursos demagógicos e reacionários, dizendo que pretende governar o pais ao lado de “pessoas de bem”, que “amam a pátria” “respeitam a família” e daqueles que desejam uma aproximação com países que possuam “ideologia semelhante à nossa”, ou seja, o discurso em defesa de uma política externa  que não fosse pautada pelo “viés ideológico”, repetido todos os dias durante a campanha, deve ter ido parar da lata do lixo, ou melhor, agora eleito, Bolsonaro não vê mais razões para seguir escondendo os seus reais objetivos à frente do governo federal.

 Entre as muitas declarações infelizes proferidas pelo atual mandatário da presidência da República uma, porém, merece maior atenção pois pode representar uma séria tentativa de intimidação de seus opositores em um momento em que o governo – e a pessoa do presidente especificamente – se vê cercado de duras críticas, inclusive por parte da própria direita. Ao defender a aproximação com países que compartilhem de suas posições ideológicas de “democracia e liberdade”, Bolsonaro fez questão de ressaltar, diante dos militares, que “democracia e liberdade, só existem quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer (sic)”. Ou seja, o presidente da República, condicionou a sustentação da democracia e da liberdade (burguesas) no país que ele próprio governa ao desejo de uma categoria especifica, no caso, os militares que há pouco mais de trinta anos ainda mantinham esse pais sob uma ditadura sangrenta da qual o Jair Bolsonaro é notório admirador e defensor.

 Nessa semana, ganhou repercussão internacional as publicações conteúdos pornográficos, incluindo um vídeo, feitas por Bolsonaro em sua conta pessoal em uma rede social, escandalizando até mesmo parte da sua base de apoio. Por mais absurda que essa atitude possa ser, e que a Constituição aponta como quebra de decoro, não é pior do que a declaração feita por ele na manhã desta quinta-feira. Em nenhum momento desde o processo de “redemocratização” do pais, um governo foi composto por tantos militares. O que Bolsonaro faz é praticamente colocar o seu governo sob a tutela das Forças Armadas, o que se assemelha bastante ao governo venezuelano de Nicolás Maduro, que ele tanto faz oposição.

Essa declaração só explicita ainda mais o caráter autoritário e antipopular do governo Bolsonaro. Como socialistas e revolucionários, não temos ilusões com a democracia liberal e as liberdades burguesas, que mesmo nos países mais “democráticos” são postas de lado quando se trata de reprimir as lutas dos trabalhadores e do povo pobre, porém temos compromisso com a garantia de todas as liberdades democráticas, como o direito de manifestação, de organização, os direitos individuais e tudo aquilo que Bolsonaro e seus aliados reacionários tanto desprezam. O mesmo presidente que há poucos dias elogiava o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, mais uma vez flerta com o autoritarismo.

Alternativa Socialista