De sábado (24) a domingo (26) de maio, a capital catalã, deu lugar com todo êxito à Conferência de fundação da LIS: uma nova organização socialista internacional que unifica partidos e grupos revolucionários de vintena de países de três continentes. Aqui deixamos uma primeira resenha do importante evento.

Na quinta-feira (23), antes da conferencia da LIS, foi realizada a última reunião de Anticapitalistas em Rede, que fez um balanço muito positivo sobre todo o trajeto que nos trouxe a esta instância superior que iniciamos com a fundação desta nova corrente internacional.

A conferência, convocada pelo Comitê de Aliança constituído em dezembro entre Anticapitalistas em Rede e o Partido Socialista dos Trabalhadores (SEP) da Turquia, teve como base uma declaração política e um programa internacional onde desenvolvemos nossa estratégia socialista revolucionária.

As seções aconteceram nas cômodas instalações do albergue estatal barcelonense Xanascat. Ali foram chegando as delegadas e delegados provenientes dos distintos países da América, Ásia e Europa. Por sorte foi possível superar os obstáculos padecidos por várias lideranças da Colômbia, Venezuela e Uruguai, que confirmaram o endurecimento das normas migratórias vigentes na União Europeia.


Informes, debates, votações

Com a alegria do encontro e a colaboração das e dos tradutores, a conferência iniciou com os informes dos companheiros Alejandro Bodart (MST da Argentina) e Volkan Arslan (SEP turco). Ambos desenvolveram “uma compreensão comum dos acontecimentos e as tarefas”[1] que enfrentamos hoje, no plano mundial, as organizações socialistas revolucionárias.

A crise econômica global e suas perspectivas; a situação da Europa ocidental, América Latina, o Maghreb e o Oriente Médio, assim como dos países da ex URSS foram os eixos dos sucessivos informes, que refletiram a realidade dos diversos países e regiões com suas similaridades e diferenças. Com intervenções e perguntas, todo o debate foi muito enriquecedor.

Uma vez votado o programa e o marca estratégico da nova organização, a conferência debateu e aprovou também várias resoluções e declarações que concretizam as posições e tarefas da LIS: sobre economia; mudança climática; Europa e os imigrantes; o Curdistão; campanhas para o próximo 8M; de solidariedade com os coletes amarelos da França e com o povo palestino contra os ataques israelenses; em defesa dos dirigentes de nossa organização irmã “A Luta, reprimidos no Paquistão” e dos sindicatos independentes da Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia; contra a presença imperialista no Irã e em apoio aos estudantes brasileiros que enfrentam Bolsonaro; sobre a Venezuela e a censura madurista ao portal Aporrea, em solidariedade com os dirigentes estudantis colombianos ameaçados de morte pelo grupo ultradireitista Águia Negra e a denuncia ao governo de Ortega na Nicarágua e a exigência de liberdade para todos os presos políticos daquele país.


Os próximos passos

 Além das campanhas internacionais aprovadas, também foi deliberada a rápida construção de um portal de notícias que estará disponível em 7 idiomas e realizar em agosto na Turquia um acampamento de formação política para nossos jovens da Ásia e Europa e outro na Argentina no inicio do ano para a juventude latino-americana. E junto com tudo isso o mandato da coordenação eleita para organizar o Primeiro Congresso Mundial da nova organização num prazo de um ano.

Em tempos em que a maioria das organizações trotskistas estagnaram, entraram em crise, racharam ou até implodiram, como no caso da norte-americana ISO, a LIS surge para reverter esta dinâmica, como um passo qualitativo no sentido oposto, de principio de unidade, à serviço de reagrupar rapidamente a mais partidos e grupos de todos os continentes que hoje estão em busca de uma nova referência internacional revolucionária e socialista.

Correspondente, desde Barcelona

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