Entidades do Estado do Ceará organizadas na luta contra a reabertura das escolas na pandemia, divulgaram um chamado à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE e as Centrais Sindicais para que lutem contra a política genocida do ensino presencial.

Não é de hoje que governadores dos Estados, inclusive o do Ceará, Camilo Santana (PT), ensaiam o retorno presencial das aulas. No último dia 17, o próprio Bolsonaro declarou sua intenção de impor a volta às aulas em todo país. Estão empurrando alunos, professores, demais trabalhadores da educação e famílias para um matadouro silencioso legalizado.

São milhares de pessoas mortas e milhões de contaminados no Brasil. Já passou da hora das centrais sindicais iniciarem uma campanha de mobilização da classe trabalhadora em defesa da vida, do emprego, do auxílio emergencial digno e contra a reaberturas das escolas sem a vacina. Confira o chamado assinado pela FETAMCE, CONFETAMCE, MTD, SISEMJUN, SINDISMCRATO e SINDSMCAR.

Um chamado à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Centrais Sindicais

É hora de combater a política genocida de reabrir as escolas na pandemia!

Estamos assistindo o desmantelamento da já fragilizada quarentena no país. Vários Governadores, Prefeitos e imprensa dão as mãos a Bolsonaro, saudando a queda nos índices de óbitos como sendo o “Novo Normal”. As atuais centenas de mortes diárias por conta da COVID-19 parecem, no discurso da maioria da imprensa e dos governos, uma realidade tolerável, uma vitória.

É inegável que já passamos por um momento pior dessa tempestade, mas ainda não navegamos em águas tranquilas. Reabrir as escolas pode provocar uma nova onda de contágio do novo coronavírus. Em Julho, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou que a volta às aulas coloca em risco não apenas os alunos e os profissionais da educação. O retorno também pode representar ameaça de contágio para outros 9,3 milhões de pessoas que residem com esses estudantes.

Ignorando esse risco, a rejeição de 79% da população que não concorda com a reabertura das escolas e o alerta dos professores sobre a incapacidade das unidades escolares, principalmente da rede pública, se adequarem aos protocolos de segurança, os governadores se preparam para o retorno das aulas presenciais em várias regiões do país.

Alguns sindicatos vêm se movimentando para alertar a sociedade sobre o perigo desse retorno às aulas presenciais. Porém, ainda falta uma coordenação nacional que unifique essa luta, que construa um calendário de atividades e aponte para uma Greve Geral da Educação onde os governos decidam reabrir as escolas.

Reunidos em Plenária Virtual, professores e entidades sindicais do Ceará decidiram encaminhar à CNTE e Centrais Sindicais esse chamado à luta: organizar a comunidade escolar, numa campanha nacional unificada, para construir uma Jornada Nacional de Lutas contra esse genocídio, tá na ordem do dia.

*Foto: José Leomar, DN.


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