Alternativa Socialista/PSOL

A reunião de Boulos com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, partido de Flávio e Carlos Bolsonaro, constitui um grave equívoco de orientação política em caminho da frente ampla com o empresariado e um atentado ao projeto político do PSOL. Essa receita foi conhecida (e sofrida) pelo povo do Brasil quando o PT, abandonando o programa fundacional de independência da classe trabalhadora, com Lula a frente, escolheu o caminho das alianças com empresários e partidos da direita que terminaram na tragédia de 2016 e o ilegítimo Temer presidente. Bolsonaro emerge no processo de desilusão de grandes setores com o PT e Lula.

O PSOL surge como projeto político a favor da classe trabalhadora e do povo pobre, nada tem a ver com aqueles que governam para o lucro do 1%. Infelizmente Boulos, ao conversar com o Republicanos sobre as eleições de 2022, parece tomar a direção de uma política equivocada que se distancia das necessidades das maiorias. É necessário esclarecer que isso não pode ser permitido e, muitas e muitos, vamos batalhar contra essa política que pretende se impor no partido, desconhecendo as instâncias internas democráticas. Boulos não fala em nome de todo o PSOL.

O Republicanos, partido ligado à IURD e que abriga parte do bolsonarismo, sustenta o governo genocida de Bolsonaro, responsável pelas milhares de mortes na pandemia da Covid-19 e inimigo número 1 da classe trabalhadora e do povo pobre. É urgente que a Direção Nacional do PSOL e o conjunto das e dos parlamentares respondam publicamente e não legitimem essa reunião com o Republicanos, além da procura por alianças que vão contra as políticas debatidas e votadas pelo partido. O que ocorreu não tem em nada a ver com flexibilidade tática. Nós temos um programa e este programa precisa ser respeitado.