Em meio a graves denúncias que envolvem o governo, seus familiares e pessoas próximas, Bolsonaro procura reanimar a base social que o acompanhou nas últimas eleições. Em uma tentativa desesperada de recuperar a iniciativa política, Bolsonaro – mesmo desgastado frente à população – convoca manifestações para o próximo dia 15 de março para atacar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal – STF.
Um de seus alvos, o desgastado Congresso Nacional, aprova as medidas do governo contra a classe trabalhadora e os setores mais penalizados da população. Para enfrentar o agravamento da crise econômica mundial e a instabilidade política do governo em meio as mobilizações – como a poderosa greve dos petroleiros – Bolsonaro ataca as liberdades democráticas, que significam obstáculos para atender aos interesses dos banqueiros, dos grandes empresários e latifundiários. Opta por esse caminho para seguir impondo ajustes fiscais e alterações constitucionais ainda mais duras contra o povo trabalhador, as mulheres, os jovens e os lutadores e lutadoras sociais e suas organizações de luta.
O PT e os partidos da oposição, que deveriam estar cumprindo um papel importante na luta contra Bolsonaro, infelizmente têm concentrado todas suas energias em cálculos eleitorais. É hora de fortalecer as lutas nas ruas contra Bolsonaro/Mourão e de derrotar o sistema que destrói nossas vidas e o planeta, e não de criar ilusões em relação às eleições. O PSOL e os movimentos sindicais, estudantis e populares devem reforçar a convocatória à Jornada de Março: 8 (Dia Internacional de luta das mulheres), 14 (2 anos sem Marielle) e 18 (Dia Nacional de Lutas, Paralisações e Greves), rumo à construção da Greve Geral.
Cresce o desgaste do governo à medida em que as condições de vida da população se agravam ainda mais. O Carnaval 2020 foi mais uma vez palco de críticas massivas, denúncias e manifestações contra ele, seu governo e o sistema vigente. Os já precários serviços de saúde, educação, previdência e assistência social são uma bomba relógio não só devido às contrarreformas, mas ao congelamento dos investimentos e gastos sociais por 20 anos. Essa é a situação social de milhões de brasileiros e brasileiras, que vivem em situação de precariedade, com um progressivo abandono do Estado que os empurra para a miséria, enquanto transfere todos os anos metade de tudo o que é arrecadado pelo governo federal, para pagamento de juros e “amortizações” da dívida pública para alimentar a sanha dos banqueiros.
É hora de fortalecer a luta nas ruas contra essa ameaça autoritária do governo Bolsonaro. As organizações de esquerda como o PSOL e a CSP-Conlutas devem concentrar todos os seus esforços para mobilizar para as atividades de rua no 8 de março. O Dia Internacional de luta das mulheres trabalhadoras deve ser um grande dia de luta contra Bolsonaro. Devemos fortalecer as lutas e as campanhas salariais em curso, das diversas categorias que estão se mobilizando: caminhoneiros, correios, moedeiros, trabalhadores das universidades federais, o conjunto do funcionalismo público federal e os profissionais da educação.
O governo Bolsonaro teme essa unificação. Por isso é fundamental fortalecer o 8 de março nessa perspectiva. Não podemos deixar que a unidade das lutas seja desmontada mais uma vez, como operou recentemente a cúpula da FUP (CUT/PT) na greve dos petroleiros. É necessária a mais ampla unidade de ação na esteira da jornada de lutas e paralisações unificadas no 18 de março, trabalhando com a perspectiva de construção de uma greve geral que enterre o ajuste fiscal do governo e do congresso nacional e que coloque para Fora Bolsonaro e Mourão. Esse é o enfrentamento que devemos fazer, nas ruas, frente às marchas da direita reacionária.

Ocupar as ruas para derrotar Bolsonaro e Mourão!

Esquerda Radical do PSOL


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