Faltando apenas dois dias para o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes completar um ano, foram presos dois suspeitos de participarem da execução. O ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, suspeito de dirigir o carro no momento do crime e o policial militar reformado Ronnie Lessa, suspeito de atirar contra o carro da vereadora. Este último, inclusive, é vizinho do presidente Jair Bolsonaro em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.


 Além de ser vergonhoso o fato de esse crime estar aparentemente começando a ser solucionado tanto tempo depois, essas duas prisões por si só não respondem a todas as questões, e as investigações precisam seguir e ir mais fundo. Também é preciso investigar as tentativas de bloquear as investigações denunciadas pelo próprio ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann no ano passado. Já dissemos anteriormente que um crime que segundo as próprias autoridades pode envolver diferentes agentes públicos, inclusive políticos poderosos, dificilmente poderá ser investigado de maneira isenta pelo Estado, e sempre defendemos a criação de uma comissão independente para solucionar o caso.


De qualquer forma, a única garantia de que esse crime bárbaro não fique em pune e nem caia no esquecimento, é a mobilização popular nas ruas, a começar pelo próximo dia 14, quinta-feira, quando a execução completa um ano. As diversas manifestações de indignação e resistência que vimos durante o período de carnaval, tanto nos blocos de rua quanto no desfile das escolas de samba, sobretudo da Mangueira, são uma amostra de que existe sim uma grande disposição de ir à luta por justiça para Marielle e Anderson e pelo combate a todos os ataques que vem do andar de cima.


Nós da Alternativa Socialista, tendência interna do PSOL, chamamos à responsabilidade a direção do partido do qual Marielle era militante e que representava na Câmara Municipal do Rio, para que comece já a organizar a mobilização pela imediata solução do crime, não podemos nos omitir neste momento, e devemos aproveitar para denunciar a falta de comprometimento do Estado, dos governantes e todas as tentativas de calar aquelas e aqueles que lutam.


Devemos também explicar que o filho do atual presidente da República, Jair Bolsonaro, é aliado das milícias que Marielle denunciava e que provavelmente estão envolvidas no seu assassinato, e que o ministro da justiça Sérgio Moro, longe de combater a corrupção pretende criminalizar os movimentos populares e dar uma verdadeira licença para a polícia matar pobres, negros e trabalhadores.


Exigimos a criação de uma comissão de investigação independente e com total liberdade, composta por organizações sociais, peritos independentes, sociedade civil e parentes. Não somos totalmente confiantes nas investigações realizadas por um governo que pode estar intimamente ligado a este atentado contra a democracia brasileira e aos direitos humanos.


Justiça para Marielle e Anderson!
Quem mandou matar Marielle Franco?



Alternativa Socialista

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